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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Parecer favorável condicionado para a barragem da Foz do Tua





O ministério do Ambiente emitiu esta terça-feira a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) do projecto do empreendimento hidroeléctrico de Foz Tua, com um parecer “favorável condicionado”. A tutela exige o estudo de uma linha ferroviária alternativa à actual, que será parcialmente inundada, ao longo de cerca de 16 quilómetros, com a construção da barragem.

O ministro Francisco Nunes Correia justifica esta decisão com a necessidade de reduzir muitos dos impactes identificados. A solução exigida pelo Governo deverá evitar «a afectação directa das concessões hidrotermais das Caldas de Carlão e Caldas de São Lourenço e minimizar a afectação em termos de área de vinha e áreas agrícolas em geral, de cursos de água, de conservação da natureza, de paisagem e de património».


O projecto, promovido pela EDP, foi aprovado com a sua localização junto à foz do rio Tua, com a cota de Nível de Pleno Armazenamento mais baixa (170 metros), no conjunto das soluções alternativas em avaliação. Em análise, estavam também as cotas de 180 e 195 metros. A construção da barragem implica a inundação da linha do Tua em 15,9 quilómetros dos 60 que aquela via-férrea tem, ficando submersos cinco apeadeiros. A DIA agora emitida destina os primeiros quatro quilómetros da ferrovia para os trabalhos de prospecção e elaboração do projecto.

De modo a «garantir e salvaguardar os interesses e a mobilidade das populações locais e potenciar o desenvolvimento sócio-económico e turístico», o Governo pretende que seja assegurado o serviço de transporte público da linha férrea do Tua no troço que vai ficar submerso, sendo que, para isso, «deverá ser efectuada uma análise de alternativas, incluindo a análise da viabilidade de construção de um novo troço de linha férrea», adianta.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Dia da Terra: Reposição dos recursos vivos já é negativa

A procura de recursos animais e vegetais dos 6, 8 mil milhões de habitantes da Terra já excede em cerca de 30% a capacidade que o nosso planeta tem em repô-los ao mesmo nível, revelou Rajendra Pachauri quando esteve a semana passada em Lisboa.
O presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU e Nobel da Paz 2007 com Al Gore , que deu uma conferência no Convento do Beato no âmbito do Mês da Sustentabilidade - uma iniciativa do Expresso e do BES -, disse que seriam necessárias 1,3 Terras para repor o equilíbrio dos seu recursos vivos.
A situação é mais preocupante na América do Norte e nos países da UE, onde a pegada ecológica de cada habitante (área do território de que necessita em termos recursos) é largamente superior à bio-capacidade da sua região. Em contrapartida, na América Latina e Caraíbas a situação é precisamente inversa.
Pachauri chamou a atenção para as fortes pressões que existem sobre o uso da Terra em todo o Mundo por causa do crescimento da população, do desenvolvimento económico, da urbanização e da procura de biocombustíveis. 10 kg de cereal para produzir 1 kg de bife
E destacou o fenómeno do aumento do consumo de carne em países emergentes, dando particular destaque aos 1300 milhões de habitantes da China, onde o crescimento tem sido exponencial nos últimos anos. O presidente do IPCC recordou que "para produzir 1 kg de bife são necessários 10 kg de cereal", mas há alternativas proteicas de origem vegetal sustentáveis para a alimentação humana.
"É preciso mudar o estilo de vida, em particular os hábitos alimentares, porque o ciclo da carne é muito intensivo em energia e em emissões de CO2. E há também um problema de segurança alimentar mundial no futuro: se cada vez mais pessoas comerem mais carne, não haverá cereais suficientes para as necessidades humanas, porque a conversão de calorias dos cereais em calorias de carne é muito pouco eficiente".
Quanto ao estado da Biodiversidade, o economista e cientista do ambiente indiano salientou que o actual ritmo de extinção das espécies é cem vezes mais elevado que no passado, traçando um cenário negro para as próximas décadas: "As taxas de extinção poderão crescer mil a dez mil vezes e uma em cada quatro espécies de mamíferos estará ameaçada de extinção".
Com o aquecimento global, os recursos hídricos portugueses poderão escassear no futuro
Ivo Pires/LusaStresse hídrico já atinge 700 milhões de pessoas
O cenário não é mais animador para a escassez da água: em 2025 mais de três mil milhões de pessoas poderão viver em países com problemas de stresse hídrico. Actualmente, esse já é o problema com que se confrontam cerca de 700 milhões de pessoas em 43 países, a maioria dos quais países em desenvolvimento.
Quanto ao Aquecimento Global, Pachauri explicou que o Árctico, África, as pequenas ilhas e os grandes deltas dos rios asiáticos e africanos (Mekong, Ganges, Nilo) serão as regiões mais afectadas.
Os sistemas e sectores mais prejudicados serão, por sua vez, os recursos hídricos, a agricultura, os sistemas costeiros, a saúde humana e ecossistemas como a tundra, a floresta boreal, as regiões montanhosas, a floresta mediterrânica, as florestas tropicais, os recifes de coral e a vida nas águas geladas do Árctico e da Antártida.
Em Portugal, o Nobel da Paz destacou "a redução da disponibilidade de água, as secas mais frequentes e prolongadas, o aumento do risco de incêndios florestais e a extensão da época dos fogos, o impacto negativo das ondas de calor na saúde pública, a redução de 30% no rendimento das culturas hortícolas, perdas de 62% na biodiversidade das espécies das regiões montanhosas, e a redução do fluxo de turistas no Verão".

terça-feira, 21 de abril de 2009


Campanha Geração Verde apela a um greening da sociedade e dos negócios


O Dia da Terra marcará, este ano, o início da Campanha Geração Verde (Green Generation), uma iniciativa de dois anos que culminará com o 40º aniversário do Dia da Terra em 2010. Similar à campanha «A Melhor Geração», que enfrentou o desafio da II Guerra Mundial, e que inspirou as grandes mudanças que se seguiram na sociedade, a Green Generation inclui pessoas comuns que estão envolvidas em actividades individuais ou colectivas para melhorar a sua saúde, as suas escolas, e para participarem na construção de uma solução para as questões urgentes, nacionais e globais, tais como as alterações climáticas e a crise mundial da água.


Com as negociações em curso para se alcançar um novo acordo climático global em Dezembro, a campanha pretende ainda chamar a atenção para um futuro sem carbono, baseado nas energias renováveis, para um consumo responsável e sustentável e para a criação de uma economia verde que tire as pessoas da pobreza, criando milhões de empregos verdes de qualidade, e que torne também verde o sistema de educação global. era dedicada a toda uma nova forma de viver e fazer negócios de forma sustentável.


Debaixo do chapéu da Green Generation, centenas de eventos foram planeados em escolas, comunidades, aldeias, vilas e cidades. A campanha é aberta a todas as pessoas, de todas as idades e nacionalidades, desde que sejam consumidores comprometidos a «comprar verde». Também as empresas terão um papel de liderança determinante na campanha, particularmente aquelas que reconhecem que o seu futuro sucesso está ligado a produtos sustentáveis e procedimentos socialmente justos.



Energia lidera greening da economia
A luta contra as alterações climáticas, através da criação de uma economia de baixo carbono, veio para ficar. Vive-se agora a era das tecnologias limpas e dos produtos renováveis e com elevada eficiência energética. É aqui que radicam os negócios do futuro nos sectores do ambiente e da energia. Os investimentos em tecnologias limpas aumentaram 44 por cento em 2007, alcançando cinco mil milhões de dólares, indica um relatório do Cleantech Group LLC.
No sector das energias sustentáveis, os novos investimentos superaram os 148 mil milhões de dólares em 2007, o que representa um crescimento de 60 por cento em relação a 2006, segundo o relatório Global Trend in Sustainable Energy Investment 2008. Estes valores vão continuar a engordar nos próximos anos. As previsões mais recentes da Agência Internacional de Energia referem que o mundo precisa de um investimento superior a 26 biliões de dólares nos próximos 20 anos para garantir um nível adequado de oferta de energia.
Portugal não foge às tendências actuais e futuras. Os negócios mais promissores estão também associados às tecnologias limpas. O sector da energia é o campeão dos investimentos, estimando-se que absorva 18 300 milhões de euros até 2014, com destaque para as energias renováveis com metade desta fatia. Portugal chegou a Novembro de 2008 com 43,3 por cento da electricidade produzida a partir de fontes de energias renováveis (FER). Os números constam das estatísticas rápidas publicadas, em Fevereiro, pela Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).



Eólica assegura quase metade da energia limpa
Segundo aquele documento, naquele mês a capacidade instalada para a produção de FER era de 8084 MW. O acréscimo da potência instalada relativamente a Outubro (que era de 8052 MW) ficou a dever-se à entrada em funcionamento de quatro novas centrais – duas eólicas, uma mini-hídrica e outra fotovoltaica. Para além disso, verificou-se um reforço de potência em dois parques eólicos já existentes.
A energia eólica apanhou bons ventos em 2008. Em 2007, o peso da eólica no total da produção de electricidade a partir de FER era de 24,6 por cento, tendo aumentado para 37,6 por cento em Novembro do ano passado. De Janeiro a Novembro de 2008, o crescimento deste tipo de energia foi de 38 por cento. Neste último mês, a potência instalada em Portugal Continental era de 2771 MW, responsável pela produção de 4938 GWh (de Janeiro a Novembro), distribuídos por 168 parques, com uma potência média de 16,5 MW. A meta estabelecida pelo Governo, para 2010, é de 5700 MW.