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domingo, 24 de maio de 2009

Lince: Criação em cativeiro não basta

No dia em que é inaugurado o Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico a Almargem convida à reflexão sobre o porquê da necessidade desta infra-estrutura e sobre a premência de outras medidas complementares para garantir o sucesso do projecto de recuperação do lince em Portugal.


Aproveitando a inauguração do Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico na Herdade das Santinhas em Silves, a Associação Almargem gostaria de tecer algumas considerações:


1. A situação lamentável a que se chegou com a extinção do lince-ibérico em Portugal, fica a dever-se à incompetência dos responsáveis governamentais que, durante anos, preferiram propalar números fantasiosos acerca da população existente nomeadamente na Serra Algarvia, e nada fizeram para evitar a degradação dos habitats e o desaparecimento dos derradeiros exemplares reprodutores.



2. Se agora se investe com grande aparato num programa de reintrodução da espécie, tal se deve, exclusivamente, à imposição por parte da União Europeia de fortes medidas compensatórias relativas à construção da Barragem de Odelouca, justamente num dos últimos locais onde terá sido detectada a presença de lince em Portugal.



3. O programa andaluz de cria em cativeiro, iniciou-se em 2004 com cerca de meia dúzia de animais incapacitados para viver em liberdade. Em 2005 nasceram as primeiras crias e só no corrente ano de 2009 se atingiu o número mínimo de 60 animais, definido pelas autoridades espanholas como necessário para poder começar o processo de reintrodução de linces no ambiente natural. Se tudo correr pelo melhor, seriam precisos igualmente pelo menos 5 anos para que a Herdade das Santinhas estivesse em condições de libertar os seus primeiros animais. Importa, no entanto, recordar que, na Andaluzia, existem já 3 centros de cria, os quais têm sido regularmente reforçados com linces acidentados, provenientes das duas populações selvagens ainda existentes (Doñana e Andújar), situação que, obviamente, não vai acontecer em Portugal.



4. De nada servirá criar linces em cativeiro para eventual libertação na natureza, se o seu potencial habitat, em especial na Serra Algarvia e no Baixo Alentejo, não for devidamente preservado, recuperado e gerido essencialmente para esse fim. Estamos, no entanto, a falar de áreas quase inteiramente inseridas em coutadas de caça sobretudo dedicadas à perdiz e ao coelho, este último a presa principal do lince. Torna-se assim imperioso iniciar desde já um programa de formação e sensibilização dos caçadores, demonstrando ao mesmo tempo que é possível conciliar a futura presença de um grande predador com a existência de uma actividade regular de caça ao coelho. Em paralelo, devem ser tomadas medidas para evitar a repetição de acções que igualmente contribuíram para a situação actual, como sejam a ocorrência de incêndios florestais devastadores, a construção de grandes infraestruturas (estradas, barragens) em zonas sensíveis ou a plantação maciça de eucaliptos. As populações de coelho-bravo devem também ser alvo de um programa específico de recuperação.



5. Por outro lado, um cuidado muito particular tem de ser prestado às zonas que confinam com potenciais portas de entrada de linces, resultantes da previsível expansão natural das populações do sul de Espanha. A gestão adequada dos habitats linceiros deverá pois começar na bacia hidrográfica do Baixo Guadiana, nomeadamente entre Barrancos e o Nordeste Algarvio. Se o lince puder voltar a Portugal de forma espontânea, tal facto constituiria uma ajuda muito importante para a futura recuperação da espécie no nosso país, reforçando a razão de ser de um programa de cria em cativeiro.


in "Naturlink"

segunda-feira, 30 de março de 2009

Parecer sobre refinaria Balboa pronto «no máximo daqui a duas semanas»

O ministro do Ambiente remeteu, esta segunda-feira, para «no máximo daqui a duas semanas» a divulgação do parecer da tutela sobre o impacte ambiental que a refinaria Balboa, na Extremadura espanhola, irá ter em território português.

Francisco Nunes Correia falava hoje em Lisboa à margem da cerimónia de assinatura de protocolos de duas medidas de desincentivo do uso do transporte individual, que envolvem a Galp Energia, a Carris e o Governo.

Questionado pelos jornalistas sobre se o parecer já está concluído, Nunes Correia disse que estará pronto dentro de pouco tempo. «Estamos a trabalhar nele. Dentro de, no máximo, duas semanas ele deverá ser conhecido. Em princípios de Abril deverá ser conhecido», disse o ministro.

A 10 de Março, o ministro tinha dito que Portugal iria pronunciar-se até ao fim deste mês sobre os efectivos impactos ambientais. «Portugal irá pronunciar-se sobre este assunto até finais de Março de 2009 e fá-lo-á com toda a competência e objectividade e com base numa análise rigorosa sobre os efectivos impactos que essa refinaria terá em Portugal», garantiu em sede de comissão parlamentar o ministro Nunes Correia.

A 27 de Fevereiro, o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, tinha adiantado que o parecer seria divulgado na primeira quinzena de Março.

A refinaria está projectada para o município de Santos de Maimona, província de Badajoz (Extremadura), a cerca de 100 quilómetros da fronteira com Portugal, e a sua construção tem suscitado críticas dos dois lados da fronteira, de ambientalistas portugueses e espanhóis, assim como de autarcas alentejanos e investidores turísticos em Alqueva.

Os receios são que a refinaria prejudique o ambiente e a saúde pública, sobretudo com a contaminação do ar e da bacia hidrográfica do rio Guadiana e da albufeira de Alqueva, para onde estão previstos projectos turísticos.

In "Tsf.pt"

domingo, 29 de março de 2009

Aquecimento do Atlântico ligado às poeiras do Sara e aos vulcões

A aceleração do aquecimento do Oceano Atlântico nos últimos trinta anos explica-se em grande parte pela diminuição das tempestades de areia no Sara e uma menor actividade vulcânica nos trópicos, sustenta um estudo divulgado quinta-feira nos Estados Unidos.

Os investigadores combinaram dados de satélites sobre a poeira e outras partículas em suspensão na atmosfera que fazem cortina ao sol, com modelos climáticos para avaliar os efeitos sobre a temperatura na superfície do Oceano Atlântico.

Conseguiram calcular o aquecimento do Atlântico nos últimos 26 anos e o impacto sobre as temperaturas segundo as alterações nas tempestades de areia em África e as actividades vulcânicas sobretudo com as erupções do vulcão El Chichón no México em 1982 e do Monte Pinatubo nas Filipinas em 1991.

"Uma grande parte da subida da temperatura desde há 26 anos na superfície do Oceano Atlântico nos trópicos - um quarto de grau Celsius em média por década - só pode explicar-se por (uma diminuição) das tempestades de areia e da actividade vulcânica", indica Amato Evan, um climatologista da Universidade do Wisconsin (norte), principal autor deste estudo publicado na edição online do jornal Science datado de 26 de Março.

"A combinação destes dois factores explica cerca de 70 por cento deste aumento da temperatura e um quarto está ligado às tempestades de areia e poeira" em África, precisa.

Um aumento modesto pode ter um impacto importante na frequência e na intensidade dos ciclones que se formam mais nas águas mais quentes, explica este investigador.

É assim que a diferença de temperatura na superfície do Atlântico entre 1994, um ano com muito pouca actividade ciclónica, e 2005, que bateu um recorde em número de tempestades tropicais e de furacões, foi de apenas de meio grau Celsius, nota.

Os resultados desta investigação sugerem que apenas 30 por cento dos aumentos da temperatura da água do Atlântico são devidos a outros factores tais como as alterações climáticas, conclui.

Sem desvalorizar a importância das alterações climáticas, este investigador nota que este ajustamento permite compreender porque é que o Atlântico aquece mais depressa do que o Pacífico.

"Isto permite restabelecer uma coerência porque sabemos que as alterações climáticas não podem só por si levar a uma subida tão rápida das temperaturas na superfície dos oceanos", salienta Amato Evan.

In "Expresso.pt"

Espanhóis querem enviar linces rapidamente para centro de Silves



Os biológos da Junta Regional da Andaluzia que coordenam o programa de recuperação do lince ibérico querem ver celebrado, com a máxima urgência, o protocolo de cedência de linces a Portugal, depois de terem confirmado que o número de crias esperadas em 2009, poderá saturar os três centros de criação em cativeiro existentes em El Acebuche (Donãna), La Olivilla (Sierra Morena) e no Centro Zoobotânico de Jerez de la Frontera.

A responsável pela gestão do departamento ambiental da Junta de Andaluzia, Marina Martín, admite que o prazo programado para a entrega dos linces terá de ser antecipado, "o mais tardar para antes do Outono de 2009", prevendo um ano fértil em novas crias que os três centros não vão ter capacidade para acolher, pois já albergam cerca de 60 exemplares. Estas estruturas estão a suportar a máxima capacidade de acolhimento e vão ter de receber novas crias.

Segundo os técnicos, o excesso de população aconselha a que se enviem rapidamente exemplares para Portugal. Com efeito, as novas crias vão necessitar, dentro de meses, de mais espaço para crescerem junto das suas progenitoras.

Consciente dos perigos que pode representar para a reprodução em cativeiro o excesso de animais de uma espécie de felino que se revela particularmente sensível à grande concentração da espécie, a Junta Regional da Andaluzia já enviou para análise ao Ministério do Ambiente espanhol, uma proposta de protocolo a celebrar com o Ministério do Ambiente português, para antecipar a transferência de linces com destino ao centro de reprodução de Silves.

O protocolo estabele que os linces que vão ser enviados para Portugal são propriedade da Junta de Andaluzia, que os cederá temporariamente e decidirá o futuro das suas crias, e compromete o Governo português a consolidar, em três anos, uma zona em condições de segurança e de sustentabilidade para a reintrodução da espécie em liberdade.

As crias que vierem a nascer no centro de Silves serão propriedade da Junta de Andaluzia, e só esta entidade é que vai determinar se os animais serão destinados a centros de criação em cativeiro ou a reintroduções no meio natural.

Investimento em Silves

Portugal já aprovou um investimento de dez milhões de euros destinados à instalação do centro de criação de Silves e está obrigado a encontrar um território com cerca de 6000 hectares para a reprodução do lince. Este espaço já está escolhido e localiza-se no Parque Natural de Noudar, no concelho de Barrancos.

Em 2008, terão nascido entre 52 e 58 crias no seu meio natural e em cativeiro. Em 2009, os especialistas previam um "salto espectacular" no nascimento de crias em cativeiro, admitindo o nascimento de 20 exemplares. No entanto, pela observação feita nos casais reprodutores poderá vir a assistir-se em 2009 a um verdadeiro baby boom de linces.

Prevendo-se esta possibilidade, as equipas de investigadores ligados ao programa de salvaguarda desta espécie ameaçada de extinção já preparam a entrada em funcionamento de novos centros de criação em Granadilha (Extremadura) e no Parque Nacional de Cabañeros (Castilha - La Mancha), pelo que, juntamente com os três de Andaluzia e o de Silves, estará consolidada uma rede que garantirá a reprodução do lince ibérico.

In "Publico.pt"